
Da capacitação técnico-profissional do pessoal a empregar no processo de construção das infraestruturas verdes, habitacionais, administrativas, securitárias, escolares, sanitárias, produtivas e outras por erguer no âmbito do PEIUHAR
Com a excepção dos 1386 (mil e trezentos e oitenta e seis) homens que conformariam a Divisão de Transporte (a estes bastaria a apresentação das respectivas cartas de condução em veículos pesados), todos os demais indivíduos a contratar pelo Gabinete Ad hoc de Gestão de Obras Emergenciais passariam necessariamente por um processo de capacitação técnico-profissional nas áreas em que actuariam (operação de máquinas, alvenaria, canalização, electricidade residencial, asfaltagem, jardinação, etc) com vista a obterem os conhecimentos, competências e habilidades técnico-profissionais que assegurariam a boa qualidade e segurança das infraestruturas a serem construídas, bem como a segurança das pessoas e bens durante o processo de demolição dos imóveis residenciais a decorrer no âmbito do PEIUHAR.
Este curso on job seria antecedido de um processo de avaliação do conhecimento e competências técnico-profissionais (esta avaliação incidiria, principalmente, nas medidas de comprimento e capacidade, cálculos aritméticos básicos e áreas intrínsecas à construção civil como a de alvenaria, ladrilhagem, canalização, electricidade, atelhamento, etc) do pessoal a capacitar, de modo a identificar aqueles indivíduos com expertise em alvenaria, canalização, electricidade, atelhamento, pintura, operação de máquinas, asfaltagem, etc, com vista a sua empregabilidade no processo de formação dos seus colegas nas áreas em que venham a demonstrar conhecimento e habilidades técnicas sólidas e/ou convincentes.
Tendo em conta o número expressivo de indivíduos a capacitar – 107355 (cento e sete mil e trezentos e cinquenta e cinco) homens, o curso de capacitação em construção civil multidisciplinar seria ministrado em “centros” de formação improvisados, isto é, a céu aberto, em terrenos baldios e previamente terraplanados para atenderem aos requisitos e às condições mínimas para a realização de aulas teóricas e práticas a céu aberto.
Cada um dos referidos “centros” improvisados de formação técnico-profissional disporia de uma ou mais tendas de uso militar e/ou civil para o acondicionamento e protecção dos materiais didácticos, ferramentas e materiais de construção a empregar no processo de ensino e aprendizagem.
O referido curso teria a duração de 180 dias (seis meses) e, salvo melhor opinião, se apresentaria estruturado em:
a) Módulo de operação de máquinas – curso com duração de 30 dias, e destinado a conferir conhecimentos técnicos em matéria de condução e operação de equipamentos pesados (retroescavadeira, pá-escavadeira, etc), bem como de demolição de estruturas maciças;
Participariam deste curso 2079 dos 108741 homens a contratar pelo GAGOE.
b) Módulo de asfaltagem, com duração de 30 dias, e destinado a conferir conhecimentos técnicos em matéria de terraplenagem e pavimentação asfáltica;
Participariam deste curso 700 dos 108741 homens a contratar pelo GAGOE.
c) Módulo de construção mecanizada de lancis, com duração de 30 dias, e destinado a conferir conhecimentos técnicos em matéria de instalação mecanizada de lancis;
Participariam deste curso 205 dos 108741 homens a contratar pelo GAGOE.
d) Módulo de construção de calçadas e passeios, com duração de 30 dias, e destinado a conferir conhecimentos técnicos em matéria de edificação de calçadas e passeios à base de pedras e blocos intertravados;
Participariam deste curso 2328 dos 108741 homens a contratar pelo GAGOE.
e) Módulo de cofragem, com duração de 15 dias, e destinado a conferir conhecimentos técnicos em matéria de feitura de estribos, amarração de estribo e armação de estruturas ferrosas para alicerces, vigas e pilares.
Participariam deste curso 2140 dos 108741 homens a contratar pelo GAGOE.
f) Módulo integrado de construção civil, com duração de 180 dias (6 meses), e destinado a conferir conhecimentos técnicos integral em matéria de construção civil, isto é, em alvenaria estrutural, electricidade, hidráulica, ladrilhagem, estucagem, atelhamento, pintura, etc;
Participariam deste curso 97575 (cerca de 90%) do total de 108741 homens a contratar pelo GAGOE.
Observação: no final deste curso de capacitação técnico-profissional in job, os formandos do módulo integrado de construção civil deverão estar habilitados a desenvolver múltiplas tarefas no âmbito dos processos construtivos em que estiverem envolvidos, designadamente a execução de serviços de alvenaria estrutural (levantamento de paredes), assentamento de piso cimentado e “mosaicado”, instalação da rede eléctrica e hidrossanitária residencial, reboco de paredes, estucagem de paredes, instalação de tecto em chapa de zinco, fibrocimento e telha de cerâmica, pintura, etc.
g) Módulo de arborização e jardinagem, com duração de 30 dias, e destinado a conferir conhecimentos técnicos em matéria de infraestruturas verde (preparação, adubagem e fertilização do solo, plantio de árvores, arbustos e relva, irrigação, manutenção de árvores e jardins, etc).
Participariam deste curso 2328 dos 108741 homens a contratar pelo GAGOE.
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Da constituição das divisões e brigadas técnicas
Esta tarefa estaria a cargo do Gabinete Ad hoc de Gestão de Obras Emergenciais (GAGOE), e culminaria com a constituição das seguintes divisões e brigadas técnicas ou especializadas:
1. Divisão de Topografia (DITOP)
A Divisão de Topografia seria a estrutura responsável pelo levantamento planialtimétrico dos troços de passagem das infraestruturas básicas subterrâneas e terrenos de implantação dos projectos habitacionais por implementar no âmbito do PEIUHAR.
A referida divisão operaria ao nível nacional com os 142 topógrafos a provirem do Instituto Geográfico e Cadastral de Angola (IGCA), Forças Armadas Angolanas, etc, ou seja, com 71 brigadas de topografia, cada uma delas composta de dois (2) elementos.
A distribuição desses 142 homens ou 71 brigadas de topografia pelo país far-se-ia de acordo com o percentual de moradias a serem erguidas mensalmente em cada uma das 18 províncias do país (assunto por desenvolver mais adiante).
2. Divisão de Electrificação Urbana e Rural (DIELUR)
A Divisão de Electrificação Urbana e Rural seria a estrutura responsável pela implementação da rede eléctrica domiciliar e de iluminação pública nos aglomerados urbanos, rururbanos e rurais por erguer no âmbito do PEIUHAR.
A referida divisão operaria ao nível nacional com os 2079 técnicos em electricidade a provirem da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE), ou seja, com 693 brigadas de electrificação urbana e rural, cada uma delas composta de três (3) elementos.
A distribuição desses 2079 homens ou 693 brigadas de electrificação urbana e rural pelo país far-se-ia de acordo com o percentual de moradias a serem erguidas mensalmente em cada uma das 18 províncias do país[1].
3. Divisão de Águas e Saneamento Urbano e Rural (DIASUR)
A Divisão de Águas e Saneamento Urbano e Rural seria a estrutura responsável pela implementação da rede de água domiciliar, bem como de esgoto e de drenagem das águas pluviais.
A referida divisão operaria ao nível nacional com os 2772 técnicos em águas e saneamento a provirem da Empresa Nacional de Águas e Saneamento (ENAS), ou seja, com 693 brigadas de água e saneamento urbano e rural, cada uma delas composta de quatro (4) elementos.
A distribuição desses 2772 homens ou 693 brigadas de água e saneamento urbano e rural pelo país far-se-ia de acordo com o percentual de moradias a serem erguidas mensalmente em cada uma das 18 províncias do país.
4. Divisão de Telecomunicações (DITEL)
A Divisão de Telecomunicações (DITEL) seria a estrutura responsável pela implantação da rede integrada de telecomunicações, isto é, pela instalação dos ductos e cabeamento para a rede de telefonia e distribuição domiciliar do sinal de internet e televisão por cabo subterrâneo, bem como dos ductos e cabeamento para a rede de semáforos rodoviários e pedestres a estabelecer nos aglomerados urbanos e rururbanos por erguer no âmbito do PEIUHAR.
A referida divisão operaria ao nível nacional com os 1386 técnicos em telecomunicações a provirem do Instituto Angolano das Comunicações (INACOM), Angola Telecom (AT), Televisão Pública de Angola (TPA), Direcção de Trânsito e Segurança Rodoviária (DTSER), etc, ou seja, com 693 brigadas de telecomunicações, cada uma delas composta de dois (2) elementos.
A distribuição desses 1386 homens ou 693 brigadas de telecomunicações pelo país far-se-ia de acordo com o percentual de moradias a serem erguidas mensalmente em cada uma das 18 províncias do país.
Continua no próximo artigo…
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[1] O número de fogos propostos para cada uma das 18 províncias do país (ideia desenvolvida mais adiante) definiria a pequena, média ou grande dimensão demográfica dos aglomerados urbanos, rururbanos e rurais a serem erguidos mensalmente em cada uma delas. Logo, quanto maior for o aglomerado habitacional a erguer numa dada província, maior será, obviamente, a extensão (em quilómetros) da sua rede básica, malha viária [por asfaltar] e passeios [por pavimentar], e, concomitantemente, o número de homens ou brigadas a mobilizar para que o processo de construção das referidas infraestruturas termine impreterivelmente antes do dia 30 de cada mês.