
Esta tarefa estaria a cargo da Divisão de Construção (DICON), e consubstanciar-se-ia na edificação de 32525 (trinta e duas mil e quinhentas e vinte e cinco) moradias (entre evolutivas e acabadas[1]) a cada ciclo construtivo de trinta (30) dias, isto é, mensalmente.
Esta empreitada seria assegurada pelos 97575 (noventa e sete mil e quinhentos e setenta e cinco mil) homens que conformariam a Divisão de Construção (DICON), isto é, pelas 32525 brigadas multidisciplinares de construção por constituir no âmbito do PEIUHAR, em jornada laboral de 8 horas de duração, a ocorrer de segunda à sexta-feira, das 8 às 17 horas[2].
Para a consecução da meta de construção de uma (1) moradia evolutiva por mês, cada uma das 32525 brigadas multidisciplinares de construção estaria sujeita a uma RUP (razão unitária de produção) diária de:
a) 0,7 Hh/m2 (levantamento, a cada 42 minutos, por um único pedreiro, de um metro quadrado de parede, ou seja, o assentamento de 13 ou 14 blocos de concreto nesse período de tempo) em empreitadas de alvenaria estrutural (levantamento de paredes);
b) 0,80 Hh/m2 (um metro quadrado de serviço por desenvolver em 48 minutos por um único profissional) em empreitadas de assentamento de piso, reboco de paredes, cobertura de moradias, etc.
Para um melhor entendimento desta temática, convidamos-vos, irmãs e irmãos angolanos, a atentarem para o exemplo abaixo.
Empregaremos nos nossos cálculos:
1. As dimensões de uma moradia T3 de:
a) Perímetro (caboco): 37,5 m;
b) Área vertical (parede): 200 m2;
c) Área horizontal (piso interior): 76,33 m2;
d) Altura máxima da cumeira (telhado): 1,30 m;
e) Ângulo de inclinação do telhado: 30%.
2. As dimensões de um “bloco de 12”[3] (é assim que são designados nas lides construtivas os blocos com as dimensões aqui apresentadas):
a) Comprimento: 0,39 m;
b) Largura: 0,12 m;
c) Altura: 0,18 m.
Pois bem, se pegarmos nos 200 m2 correspondentes a superfície interna ou externa da parede do imóvel (foram retirados desta equação os vãos das janelas e portas por serem espaços desprovidos de blocos), e dividimo-los por 0,07 m2 (0,07 m2 corresponde à área vertical do bloco de concreto aqui sugerido), rapidamente concluiremos que uma moradia com as dimensões acima apresentadas consumiria 2857 blocos.
Se pegarmos neste número de blocos (2857) e o dividirmos por 3 (três)[4], constataremos que cada um dos três indivíduos que constituiriam cada uma das 32525 brigadas multidisciplinares de construção assentaria mensalmente 952 blocos (2857 blocos ÷ 3 = 952 blocos).
Ora, como cada um deles estaria sujeito a uma produtividade diária de 0.7 Hh/m2 em empreitadas de alvenaria, facilmente se pode concluir:
a) Que cada integrante de uma brigada multidisciplinar de construção assentaria 160 blocos por dia;
b) Que cada uma das 32525 brigadas multidisciplinares de construção assentaria 480 blocos por dia.
O resto é fácil de entender…
Se pegarmos, novamente, no número de blocos (2857 blocos) que a referida residência de tipologia T3 consumiria (daqui se pode depreender que residências de tipologia T2 demandariam uma quantidade de blocos ainda menor), e o dividirmos por 480 (número de blocos que cada brigada multidisciplinar de construção assentaria diariamente), constataríamos que a empreitada de levantamento das paredes do referido imóvel consumiria apenas 6 dos 22 dias úteis que cada brigada multidisciplinar teria para erguer uma moradia evolutiva (2857 ÷ 480 = 5,95 dias).
De certeza que estarão a questionar-se: “por que 22 dias úteis?!”… Resposta: porque os dias de sábado estariam reservados à construção de infraestruturas não-residenciais (escolas, centros gerais de saúde, centros materno-infantis distritais, farmácias, esquadras policiais, postos de protecção e segurança pública, fazendas agrícolas, fazendas pecuárias, fábricas de processamento de alimentos, minimercados, mercados distritais, padarias, peixarias, açougues, etc), e os domingos para o merecido e necessário repouso do pessoal.
E quanto aos restantes 16 dias úteis?!… Os restantes 16 dias úteis seriam (salvo melhor opinião) repartidos da seguinte forma:
1. Dois (2) dias para o processo prévio de abertura mecanizada dos cabocos;
Observação: este trabalho seria realizado com recurso a minivaletadeiras[5] (foto ao lado).
2. Dois (2) dias para o assentamento e enchimento das fundações, pilares e/ou vigas[6];
3. Dois (2) dias para o assentamento interior do piso de cimento (piso desprovido de porcelanato, vulgo “mosaico”);
4. Um (1) dia para a abertura, com recurso a equipamentos electromecânicos de corte e/ou perfuração (maquita, martelos eléctricos, etc), das linhas de passagem do circuito eléctrico e hidráulico, bem como de esgoto;
5. Meio (1/2) dia para a colocação dos electroductos e tubulação hidráulica (rede d’água) e de esgoto, bem como para o fechamento das linhas de passagem dos electroductos e tubulações hidráulicas (por não requerer acabamentos refinados, este trabalho de tapa-buracos levaria quanto muito meia hora a concluir);
Observação: por serem materiais soldáveis por termodifusão, logo de instalação não demorada, convinha (nossa opinião pessoal) que fossem utilizados tubos PPR nas instalações hidráulicas residenciais.
6. Meio (1/2) dia para:
a) A colocação de porcelanato (mosaico) nas paredes internas do WC;
b) A instalação dos cabos eléctricos nos electroductos.
Observação: com vista a acautelar o roubo dos equipamentos eléctricos domiciliares, os quadros eléctricos, disjuntores, caixas de derivação, interruptores, suportes, tomadas, lâmpadas e demais acessórios eléctricos seriam instalados apenas na véspera da ocupação efectiva das referidas moradias.
7. Quatro (4) dias para o reboco completo das paredes exteriores;
Observação: cada membro da equipa (brigada) rebocaria um trecho da casa.
8. Um (1) dia para a colocação do tecto de zinco;
9. Um (1) dia para a instalação das portas e janelas;
Observação: as portas e janelas deverão ser entregues às brigadas multidisciplinares de construção com as medidas certas para facilitar a sua instalação.
10. Um (1) dia para a pintura das fachadas exteriores das moradias;
Observação: se possível utilizar-se-iam nesta empreitada tintas da mesma marca e tonalidade.
11. Um (1) dia para as empreitadas finais e de pequena monta, designadamente:
a) A colocação da sanita, lavatório, polibanho, chuveiro, torneiras e demais utilitários sanitários a instalar no WC;
Observação: em residências com dois WC apenas um seria entregue funcional (ou seja, pronto-a-usar), enquanto o outro seria entregue apenas com os pontos de água instalados.
b) A construção dos muros (apenas dois) de sustentação da bancada de cozinha;
c) A demarcação das divisórias (uma fiada de blocos seria o suficiente) e esquinas (três blocos no máximo) de cada um dos quintais.
…///…
O que estamos a querer demonstrar?!…
Que mesmo com uma RUP pouco exigente de 0.7 Hh/m2, correspondente ao assentamento de 14 blocos em 42 minutos[7] em empreitadas de alvenaria, a consecução da meta mensal de uma moradia por brigada multidisciplinar de construção seria facilmente lograda sem a necessidade de sujeitar a mão-de-obra a uma espécie de trabalho forçado ou extremamente extenuante.
Continua no próximo artigo…
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[1] Mais adiante esclarecemos para quem seriam as moradias acabadas que excepcionalmente seriam construídas pelas brigadas multidisciplinares de construção no âmbito do PEIUHAR.
[2] Estamos a incluir nesse tempo o período [de uma hora] reservada ao almoço e descanso da força de trabalho.
[3] “Blocos de 12” são (aqui no país) os mais utilizados em obras de construção residencial térrea.
[4] Três é o número de elementos que conformariam cada uma das 32525 brigadas multidisciplinares de construção.
[5] Uma (1) minivaletadeira por brigada.
[6] Esta empreitada começaria (como é óbvio) a ser executada antes dos trabalhos de alvenaria estrutural (levantamento das paredes). A ferragem a empregar no processo de construção dos alicerces, pilares e vigas seria assegurada (feita) pela Divisão de Cofragem (DICOF).
[7] Esta RUP é, geralmente, em empreitadas de alvenaria estrutural, considerada de baixa produtividade, daí, se calhar, a razão de muitas construtoras que operam no nosso país e não só optarem pelo modelo de remuneração variável, ou seja, por meta, ao invés da atribuição de um salário mensal fixo.